Da BBC Brasil - 02/09/2008 05:08
Variante parece influenciar na maneira como homens se
sentem unidos a parceiras.
Cientistas suecos podem ter descoberto um
gene "responsável" por dificuldades no relacionamento e até mesmo
pelo fim de muitos casamentos.
Os pesquisadores do Instituto Karolinska descobriram
uma ligação entre uma variante específica de um gene e a forma como os homens
se sentem - ou não - unidos a suas parceiras.
Eles analisaram o DNA de 550 gêmeos e seus
parceiros. Os homens e mulheres responderam a uma série de questões sobre seus
relacionamentos. Em seguida, as respostas foram comparadas com a formação
genética de cada um.
Os pesquisadores descobriram que os homens
que têm uma ou duas cópias da variante 334 do gene AVPR1A normalmente se
comportam de maneira diferente nos relacionamento do que os que não têm a
variante.
Os homens que tinham a variante tinham menos
chances de se casar do que os que não a tinham. E os que tinham duas cópias da
variante tinham duas vezes mais chances, no espaço de um ano, de ter tido uma
crise no relacionamento.
Além disso, os pesquisadores também descobriram haver uma ligação entre a variante
e o que as mulheres pensavam de seus parceiros.
"Mulheres casadas com homens que têm
uma ou duas cópias do 334 estavam, em média, menos
satisfeitas com seus relacionamentos do que as casadas com homens que não têm a
variante", disse Hasse Walum,
estudante de pós-graduação do Departamento de Epidemiologia Médica e
Bioestatística do Instituo Karolinska.
O gene AVPR1A serve como um receptor da vasopressina,
um hormônio encontrado no cérebro da maior parte dos mamíferos que parece
desempenhar um papel na formação de uma ligação entre parceiros.
"Há muitas razões pelas quais uma pessoa pode ter problemas de relacionamento, mas
esta é a primeira vez que a variante de um gene foi associado a como os homens
se conectam a suas parceiras", disseWalum.
Ele enfatiza, no entanto, que o efeito dessa
variação genética é relativamente modesto e não pode ser usado para prever com
certeza como alguém se comportará em uma relação futura.
Segundo o Instituto, o mesmo gene foi
estudado anteriormente em arganazes, um roedor
encontrado na Europa, África e Ásia e que tem um aspecto semelhante ao de um
esquilo. Nesses animais, constatou-se uma ligação entre a variante e um
comportamento monogâmico.
Os pesquisadores esperam que um maior conhecimento dos efeitos da vasopressina nas relações humanas poderá ajudar a ciência a
entender melhor as causas de doenças caracterizadas
por problemas com interação social, como o autismo.
Os resultados do estudo foram divulgados na revista acadêmica Proceedings of the National Academy
of Sciences.
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