Mononucleose Infecciosa
Doença do Beijo
Cerca de 95% dos adultos
já tiveram a virose mononucleose infecciosa ou angina monocítica, também
conhecida como a doença do beijo. Transmitida pela saliva e, mais raramente
por transfusão de sangue ou contato sexual, ela é mais comum entre adolescentes
e adultos jovens e é confundida, muitas vezes, com outras moléstias. "A
doença tem distribuição em todo o mundo, não há uma época do ano e nem sexo que
mostre maior incidência", afirma Lenir Nascimento da Silva, pediatra da
creche Fiocruz nas unidades Manguinhos e Instituto Fernandes Figueira (IFF).
Apesar de ser uma doença que
atinge mais adolescentes e adultos jovens, são as condições socioeconômicas que
definem em que época da vida se pode contrai-la. Quanto mais desenvolvido um
país, mais tarde as pessoas contraem a enfermidade. Na Europa, cerca de 70% dos
jovens entre 17 e 19 anos tiveram contato com a doença, enquanto que, em São
Paulo, 80% das pessoas têm anticorpos característicos da doença até os 14 anos.
Alguns fatores que influenciam a transmissão são as más condições de higiene e
grande concentração de pessoas em espaço pequeno.
A mononucleose é transmitida
pelo vírus Epstein-Barr (VEB), da família Herpesviridae. e tem duração
média de duas a quatro semanas. O período de incubação varia de 30 a 45 dias e
o período de transmissibilidade pode durar um ano ou mais. Os seus principais
sintomas são: dor de garganta, febre, mal estar, fadiga, aumento dos gânglios,
que ficam dolorosos, do baço e do fígado. Cerca de 8% das pessoas que contraem
a doença podem apresentar rash, uma espécie de irritação que deixa a
pele de cor avermelhada, com consistência de uma lixa. Esse sintoma pode
aumentar para 70 a 100% quando o doente recebe ampicilina ou penicilina. Por
essa razão, é importante o diagnóstico correto e evitar a automedicarão. Após o
contato com a doença, não é necessário o isolamento da pessoa.
Não existe tratamento
específico para combater a doença, apenas os sintomas são tratados. A prevenção
também é difícil, pois as vacinas ainda estão em desenvolvimento. As crianças
podem apresentar a doença sem ter sintomas. São os adultos que normalmente
apresentam os três sinais clássicos: faringoamigdalite, hepatoesplenomegalia (o
aumento do baço e do fígado) e também crescimento de gânglios. Ainda no caso dos
adultos, é bastante característica a fadiga, que passa após algumas semanas. A
virose geralmente não é fatal, mas pode apresentar complicações como meningite,
encefalite, anemia hemolítica e rompimento do baço. "Algumas pesquisas
mostram que o material genético do vírus da mononucleose é encontrado em dois
tipos de câncer não muito comuns: o câncer nasofaringeo e o linfoma de
Burkitt", diz Lenir.
Devido à natureza de seus
sintomas, a mononucleose infecciosa pode ser confundida com rubéola,
escarlatina, citomegalovirose e outras. O diagnóstico é feito pela história
clínica, exame físico e também por exames complementares, como o exame de
sangue e pesquisa de alguns tipos de anticorpos. Nem sempre o diagnóstico é
possível, pela doença apresentar-se de forma não característica, ou por exames
laboratoriais não conclusivos (mais comum em crianças). Quando é necessário um
diagnóstico preciso, são feitos exames de pesquisa do vírus em secreções. Adultos
e crianças podem ser portadores assintomáticos e assim transmitir a doença sem
nunca ter apresentado sintomas clínicos. Em relação à transmissão, ela não
ocorre de forma constante. As pessoas podem expelir o vírus de forma
intermitente - às vezes, a saliva não contém vírus. Dessa forma, não é uma
característica da doença a ocorrência de epidemias e também não é necessário o
isolamento do doente.
Fonte Fiocruz- Novembro de
2003, Rio de Janeiro
Charles Rojtenberg