Publicado na Revista Manuela em 15/09/2006
Quem trabalha numa empresa
sabe exatamente o que é um assédio sexual. Milhares de pessoas já passaram por
isso em seus empregos ou vivem saindo pela tangente de situções complexas como
estas.
Mas afinal por que existe tanto assédio sexual numa empresa? A resposta está
longe de casa não, o problema está em nossa formação como indivíduos.
Todos nós somos educados pela mesma sociedade, pela mesma cultura e vivemos os
mesmos problemas. Os lares e as famílias são verdadeiros centros de união
social, mas não significa que são lugares de felicidade e de bem estar do
casal.
Se pegarmos os índices que demonstram mais de 60% das mulheres com problemas
sexuais e mais de 30% de homens com disfunção erétil, irá observar que estas
frustrações irão ser desenroladas, em muitos casos, dentro das empresas, afinal
as empresas são compostas por estes sujeitos.
Coloque um homem de 50 anos de idade, com problemas de relacionamento afetivo
ou sexual para trabalhar com uma mulher bonita de 25 anos, com uma aparência
juvenil e com a sensualidade a flor da pele. A chance de termos uma aproximação
mais pessoal é alta, principalmente se ele for um cargo acima dela, isso é
natural. É a biologia falando mais alto que a razão as vezes. Somos programados
para isso, esta em nossa carga genética inclusive. Para reforçar isso ainda tem
empresa que proíbe do casal trabalhar na mesma cidade, ou seja, se um trabalha
aqui o outro não pode. Alega-se que isso atrapalha o rendimento profissional.
Devemos investir não somente em questões relacionadas ao lucro das empresas, as
vendas, os computadores. Devemos investir no ser humano que esta nesta empresa,
que faz tudo isso funcionar. Temos que oferecer para eles condições de
trabalhar seus conflitos, seus problemas sexuais e com isso obter um melhor
resultado como pessoa. Certamente que sua produtividade irá melhorar e estes
problemas tenderão a ser reduzidos em muito.
Somos seres humanos, passíveis de falhas e imperfeições. Nossos casamentos são
fachadas que vivem de aparência social, onde a verdadeira felicidade sexual e
afetiva esta fora de casa. Veja quantas pessoas buscam amantes no ambiente de
trabalho ou programas sexuais fora de sua relação? Isto reflete o caos que
vivemos dentro das uniões estáveis. É preciso trabalhar a relação, valorizar a
união e buscar a felicidade e a redução do preconceito sexual nas empresas.
Uma pessoa infeliz irá buscar sua felicidade em qualquer lugar, basta ela ter
oportunidade para isso. Podemos fingir que nada disso é real, mas vejam os
índices, eles falam por si. Mais de 70% das traições ocorrem com alguém do
convívio, sendo muitas destas com alguém que trabalha na mesma empresa. O
número de mulheres infectadas pelo vírus da AIDS não para de crescer, estas
mulheres são casadas em união estável e são contaminadas por seus maridos e
amantes. O número crescente da prostituição juvenil e gravidez precoce cresce
assustadoramente a cada ano; você acha que são meninos novinhos que estão
fazendo estes programas? São homens, casados, pais de família, em geral com
cargos e salários satisfatórios na casa dos 30 a 50 anos. E você ainda acha que
o tema sexualidade está sendo desenvolvido de forma satisfatória dentro das
empresas? Existem empresas que este tema é um verdadeiro tabu, ou seja, pode
fazer, mas não falar.
Claro que existem empresas que investem neste tema e estão preocupadas com tais
questões, mas isso ainda é muito modesto o numero de investimentos na área se
comparado aos problemas existentes no mercado atualmente.
Abraços,
Charles Rojtenberg
Mestre em Sexologia (UGF-2002)
Publicado na Revista Manuela
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