História dos Vibradores

http://www.museudosexo.com.br/images/praticas_sexuais/vibrador.jpg
Dos antigos aos atuais: tipos de vibradores..

É bastante comum as pessoas acreditarem que para o exercício de uma sexualidade satisfatória e prazerosa baste a relação sexual com um parceiro em determinada periodicidade ou, em menor medida, a auto-estimulação por meio da masturbação. Entenda-se a relação sexual restrita à penetração vaginal ou anal e a prática do sexo oral, sem levar em conta o que está em seu entorno. Esta é a visão hegemônica do que é “normal” e “natural” no sexo. No entanto, orbitam em torno do ato sexual propriamente dito vários fatores que promovem a estimulação, o desejo, a excitação e favorecem decisivamente a qualidade do prazer sexual. Dentre tais fatores podem ser citados o ambiente no qual há a relação sexual, um vestuário atrativo, um perfume, uma música, um odor, uma nudez sugerida ou completa, uma fantasia, um drinque, um filme romântico ou erótico, além da atração física ou dos laços de afeto entre os parceiros. Alguns destes fatores têm diferentes impactos em cada pessoa, pois podem ser importantes para uns e indiferentes, desconhecidos ou inacessíveis para outros
.

A este conjunto de fatores que orbitam o ato sexual com parceiro e a masturbação soma-se o uso dos chamados brinquedos eróticos, cuja existência remonta ao antigo Egito, mas se consolidou como objeto de consumo apenas nas últimas duas décadas.

A aceitação do brinquedo erótico esbarra ainda em alguns tabus quanto ao que é “normal” e “natural” no sexo. Há mulheres que temem usá-lo por acreditarem que ficarão dependentes desta forma de obter prazer ou que o objeto venha a se transformar em uma muleta sexual por serem elas portadoras de uma suposta incapacidade de atrair um parceiro. Os homens, por sua vez, vêem com desconfiança um objeto que proporcione à parceira um prazer que somente o pênis deveria conceder. E parcela importante de homens e mulheres ainda temem acessórios eróticos que estimulem a mistificada região anal, como se isto colocasse em risco o padrão de masculinidade.

Estas posturas têm origem nos preconceitos, mitos, desinformação e tabus apreendidos desde a adolescência, relacionados à sexualidade. Se a auto-estimulação é ao mesmo tempo vergonhosa mas tolerada no corpo social e familiar, por sua vez não é raro que os brinquedos eróticos sejam adquiridos com a desculpa de debochar de amigos ou colegas de trabalho. No imaginário da maioria das pessoas o uso de um brinquedo erótico significa: para a mulher, o fracasso de ser excitante para o outro e por isso esta se consola com um substituto do pênis; para o homem, o fracasso do pênis que não satisfaz à mulher e a força a recorrer a um “consolo”; entre alguns homossexuais homens e mulheres também o brinquedo erótico é visto como símbolo do fracasso de proporcionar prazer satisfatório ao parceiro, via sexo anal e oral.

Apesar dos temores e preconceitos o consumo de produtos eróticos está em franca expansão. Em 2003 o setor faturou U$ 350 milhões somente no Brasil, cifra que indica o rompimento de fronteiras de classe social, raça, religião e gênero (65% dos compradores são mulheres). Os produtos são adquiridos por curiosidade, por brincadeira, para uso às escondidas ou por uma consciência positiva de benefício à própria vida sexual e/ou do parceiro.

Dentre os mais procurados destaca-se o vibrador. A aceitação desse aparelho como um dos fatores que auxiliam na qualidade da vida sexual de homens e mulheres vem desmitificando antigos receios. Cada vez mais pessoas reconhecem que o ato de se excitar e provocar uma reação orgástica por meio de um vibrador é uma experiência física tão básica e natural como o que se faz em outras formas de auto-estimulação ou estimulação feita por um parceiro.

O que é um Vibrador

Vibrador é um aparelho com motor interno impulsionado por pilhas, bateria ou alimentação elétrica. O motor produz movimentos rápidos e constantes na parte superior do aparelho, o que dá a sensação de vibração; há modelos que vibram, pulsam e giram. Quando em contato com regiões do corpo, as vibrações aumentam o fluxo do sangue, o relaxamento dos músculos, estimulam as terminações nervosas mais sensíveis e favorecem a lubrificação dos órgãos genitais.

Assim como outros acessórios eróticos, o vibrador não é uma invenção recente. A medicina o utilizou pela primeira vez em 1878 para o tratamento do que então era conhecido como “histeria feminina”, diagnosticada pela irritabilidade, ansiedade, variação de humor, revelação de fantasias sexuais e acentuada lubrificação vaginal. Os resultados não foram satisfatórios e após 30 anos a terapêutica foi abandonada.

Mas o aparelho foi bem aceito pelo público e em 1900 começou a ser produzido em escala industrial.

http://www.museudosexo.com.br/images/praticas_sexuais/barker.jpg

Barker Universal Portable Vibrator fabricado em 1906. Fonte: http://www.vibratormuseum.com/electric.

http://www.museudosexo.com.br/images/praticas_sexuais/anuncio.GIF

Anúncio de vibrador em catálogo da Sears em 1927. Fonte: www.rohan.sdsu.edu/~delmare/

Os formatos dos vibradores modernos permitem grande liberdade de movimentos: em círculos, para cima e para baixo, de um lado para o outro sobre o clitóris, os lábios vaginais, o púbis, os testículos, o pênis, a região anal e o períneo. Podem ser manipulados com as duas mãos ou apenas com uma, enquanto a outra se dedica a carícias em si ou no parceiro.

Quando uma pessoa estimula manualmente os genitais – fricciona, aperta, acaricia e massageia – faz o mesmo que um vibrador, com a diferença de que o aparelho age com maior rapidez, ritmo constante, maior intensidade e não se cansa. Ao adquirir experiência com o vibrador, quem o utiliza o percebe como uma extensão da mão que acaricia o corpo, dirigindo seus movimentos para os locais que deseja, pelo tempo que for agradável e com uma intensidade confortável.

É possível ajustar o ritmo e a intensidade das vibrações em alguns modelos de vibradores. Nos outros modelos que não permitem esses ajustes é o usuário quem determina a pressão e freqüência dos movimentos ao friccionar o aparelho contra o corpo.

• Escolha do Modelo

Em nosso meio, os vibradores podem ser adquiridos em sex shops ou em lojas virtuais na Internet. Há grande variedade de tamanhos, materiais de revestimento, cores, texturas, pesos, tecnologia e preços. Para aqueles que ainda não têm experiência com o aparelho, é recomendável ir até um sex shop para comparar os modelos, levando em conta principalmente se a velocidade da vibração é adequada, se a superfície do vibrador não apresenta riscos de dano ao corpo, se é de fácil limpeza, se o nível de ruído é tolerável e se oferece boa liberdade de movimentos com a mão.

Os vibradores podem ter alimentação à pilha ou bateria (menor desempenho) ou corrente elétrica (desempenho maior), o que influi na velocidade e freqüência das vibrações e pulsações. Alguns modelos oferecem apenas uma possibilidade de vibração e pulsação; outros podem ser ajustados em até cinco velocidades. Há vibradores alimentados com três pilhas médias, por isso é importante avaliar o peso do aparelho com e sem as pilhas.

Quanto ao tamanho, a maioria dos vibradores varia entre 8 e 30 cm de comprimento e entre 2,5 a 4 cm de diâmetro. Nos modelos maiores (entre 17 e 30 cm) são encontradas réplicas penianas (que além de vibrar e pulsar, rotacionam), estimuladores clitorianos acoplados que permitem a penetração vaginal com movimento e massagem no clitóris, e os vibradores duplos para penetração simultânea vaginal e anal. Nos modelos menores (entre 8 e 10 cm), além do clássico cilíndrico, são encontrados aqueles que se fixam na área do clitóris como os butterfly, eggs e bullets vibratórios. Para o sexo anal os plugs são vibradores específicos; são comercializados na forma de kits (em quatro diâmetros que variam de 1,5 a 4,0 cm) ou no formato cilíndrico com ponta fina de 2 cm e corpo que se alarga até 4,0 cm.

Quanto ao formato, os vibradores clássicos são cilíndricos como um bastão; também são apresentados em forma de pênis, língua, dedos, frutas, legumes e em curva para alcançarem o “ponto G” nas mulheres. Há modelos que sugerem discrição e se assemelham a aparelhos massageadores usados em clínicas de estética ou a secadores de cabelo. Os vibradores clitorianos vêm em forma de borboleta, tartaruga, coelho, cápsula, foguete, ovos, joaninha e podem ser fixados por meio de uma cinta nos quadris; outros são semelhantes a capas vibratórias para serem usadas nos dedos da mão.

Os vibradores são revestidos com os mais diferentes materiais: plástico rígido, silicone, jelly, glitter, marfim, metal e cyberskin ( imitação da textura da pele). Podem ser translúcidos, cromados, coloridos, estampados, com alto relevo ou corpo anelado. Outros brilham no escuro, têm infravermelho, controle remoto ou podem ser plugados no computador. É importante que, ao adquirir um vibrador, sejam avaliadas a textura e a superfície da parte externa do aparelho, a fim de perceber se são agradáveis ao toque, não danificam a pele, não têm saliências que rompam o preservativo e podem ser limpos com facilidade.

Modos de Utilização

Dada a grande diversificação de modelos de vibradores e seus complementos, os modos de utilização variam de acordo com os recursos que oferecem.

Para as pessoas que nunca usaram ou têm pouca familiaridade com vibradores, será enfocado o modelo clássico que cumpre muito bem sua finalidade, e do qual os demais modelos derivam.

http://www.museudosexo.com.br/images/praticas_sexuais/modelos.jpg

Modelos clássicos de vibradores.

Ao usar o vibrador solitariamente, em geral homens e mulheres se preparam da mesma forma que para a masturbação. Utilizam o mesmo ambiente, garantem a privacidade e todo o tempo que necessitam. Fazem a auto-exploração do corpo com as mãos, sentem os locais de maior excitação, fantasiam ou se admiram em espelhos. Passeiam as mãos pelos seios e mamilos, púbis, vagina, clitóris, ânus, testículos e pênis, estimulando-os e empregando uma das técnicas abordadas na seção Masturbação.

A mesma auto-estimulação pode ser feita com um vibrador, com o benefício de alcançar resultados em menor tempo, com maior satisfação e sem demandar grande esforço físico. É importante lembrar que cada pessoa tem o seu jeito de obter prazer e não há norma que estabeleça que todas devam ter prazer com o uso do vibrador. É normal que algumas não se sintam bem utilizando o aparelho e prefiram a estimulação manual ou a relação sexual, enquanto outras integram perfeitamente bem o objeto à sua vida sexual.

O passo mais importante a ser dado, ao iniciar o uso do vibrador, é sentí-lo como a extensão da própria mão que acaricia o corpo. Por isso, o aparelho deve adaptar-se bem à empunhadura, ser agradável ao toque, não ser demasiadamente pesado e barulhento.

Na fase de auto-estimulação pode-se aplicar ao corpo óleos e cremes relaxantes, mas o vibrador não deve ser usado sobre a pele molhada ou dentro de banheiras e box de banho. Há modelos à prova d´água, mas é recomendável testá-los antes de colocá-los em contato com o corpo molhado.

Como o efeito de vibração nos órgãos genitais é maior do que o uso das mãos, há géis lubrificantes específicos disponíveis nos sex shops que tornam mais confortável o deslizamento do aparelho.

Para usar o vibrador segura-se a base do aparelho com uma mão e percorre-se o corpo com ele. Exploram-se vagarosa e suavemente rosto, cabeça, pescoço, ombros, peito, braços, abdômen, púbis, pernas, pés e nádegas, observando a reação de estímulo em cada parte do corpo e evitando aplicá-lo imediatamente nos órgãos genitais. Experimentar o vibrador em várias regiões do corpo ajuda a conhecer as potencialidades do aparelho, ajustar seus movimentos e velocidade em um nível prazeroso e controlar a pressão da mão que o move.

A exploração do corpo com o vibrador resulta em uma sensação geral de excitação. Nesse estágio o aparelho pode ser encostado suavemente nos lábios vaginais, no períneo, no clitóris, nos testículos, no pênis e no ânus. Por serem áreas de grande concentração de terminações nervosas e alto fluxo sangüíneo, a intensidade das vibrações será amplificada. É o momento de assumir totalmente o controle do aparelho, variando os movimentos (para cima e para baixo, para os lados e circulares), a velocidade e a pressão exercida contra o corpo. Por vezes, basta roçar o vibrador nessas áreas para conseguir um alto grau de excitação. Se a vibração for tão intensa a ponto de causar desconforto, pode-se cobrir os genitais com uma toalha e passar o vibrador sobre ela. Cuidar para que a toalha não absorva a lubrificação natural dos genitais, pois a vibração poderá causar alguma irritação.

À medida em que o vibrador é utilizado, cada pessoa saberá definir a configuração que lhe é mais prazerosa. Há a tendência do corpo ir se acostumando ao objeto e paulatinamente o usuário aproveita mais seus recursos.

Do mesmo modo que na masturbação ou na relação sexual, ao usar o vibrador as fantasias e os movimentos do corpo estão liberados, pois o aparelho por si só não tem a capacidade de provocar o orgasmo. Sempre lembrar que por trás da máquina quem comanda é um ser humano desejoso de prazer e bem-estar.

O vibrador é o acessório para excitação e penetração mais usado nos jogos sexuais entre parceiros. O homem estimulando o clitóris, os lábios vaginais e o ânus da mulher; e a mulher estimulando o pênis, os testículos e o ânus do homem. Entre parceiros e parceiras homossexuais o vibrador também é o acessório erótico preferido.

Para alguns usuários, a vibração contínua sobre o clitóris ou o pênis pode resultar em orgasmo. Já outros preferem obter o máximo de excitação com o aparelho e, quando não suportam mais a estimulação, deixam o vibrador e concluem com as próprias mãos ou com o parceiro até o orgasmo.

E quanto tempo dura a estimulação com vibrador? Cada pessoa tem o seu tempo para se estimular, se excitar e alcançar o orgasmo. Há quem o faça em 15, 30, 40 min ou o tempo que o corpo demande.

O uso do vibrador pode ser combinado com outras técnicas de estimulação e acessórios sexuais. Por exemplo: enquanto uma mão segura o vibrador a outra está livre para acariciar demais partes do corpo ou o parceiro; enquanto o vibrador age na vagina ou no ânus, os dedos massageiam o clitóris ou o pênis; enquanto o clitóris ou o pênis é massageado com o vibrador um dildo é introduzido na vagina ou no ânus.

Há modelos de vibradores que por seu design e textura são mais indicados para massagem erótica e outros para a penetração vaginal e anal. Também são encontrados modelos com dupla função, como os que fazem ao mesmo tempo sucção peniana e penetração anal e os que permitem a penetração vaginal com estímulo clitoriano.

http://www.museudosexo.com.br/images/praticas_sexuais/vermelho.jpg

http://www.museudosexo.com.br/images/praticas_sexuais/roxo.jpg

Vibrador para estimulação do ponto G.

Vibrador de dupla ação: penetração vaginal e estimulação clitoriana.



http://www.museudosexo.com.br/images/praticas_sexuais/duplo02.jpg

À esquerda, minivibrador para estimulação clitoriana e peniana. À direita, bolas vibratórias para estimulação simultânea anal e vaginal.

http://www.museudosexo.com.br/images/praticas_sexuais/duplo.jpg

Modelos para estimulação clitoriana e peniana. Acima à esquerda, egg vibratório; abaixo, cápsula vibratória; à direita, capa para dedo vibratória.

 

http://www.museudosexo.com.br/images/praticas_sexuais/triplo.jpg

Vibradores do tipo plug para estimulação e penetração anal.

Precauções e Higiene

Existe um grande mercado paralelo de acessórios sexuais que não garante ao consumidor a qualidade e a segurança dos produtos. Ao adquirir objetos eróticos é importante verificar se a procedência é confiável, se o sex shop ou site estão na legalidade e se os produtos possuem uma breve descrição, quanto à composição química, dimensões e eventuais precauções.

No caso dos vibradores é mais indicado que quem for adquiri-lo vá ao sex shop para verificar a segurança do produto e se sua constituição é satisfatória e confortável. Afinal, trata-se de um objeto para usufruir momentos prazerosos e não para causar algum dano à saúde dos usuários.

Sempre que terminar de usar o vibrador, deve-se limpá-lo com água e detergente, secando-o bem, para evitar a proliferação de microrganismos. Os modelos que não são à prova d´água não permitem uma limpeza eficiente.

Colocar preservativos no vibrador e trocá-los a cada uso, quando for utilizado por mais de uma pessoa (homem/mulher; mulher/mulher; homem/homem). Se for empregado na penetração vaginal e anal, trocar os preservativos a cada penetração. Esta forma de sexo seguro previne a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis, inclusive AIDS.

Fontes:

Heiman, J. R.; Lopiccolo, J.– Descobrindo o Prazer. São Paulo, Summus, 1992.
Joannides, P. – Prazer e Emoção. Rio de Janeiro, Leganto, 2003.

 

www.professorcharles.com.br